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segunda-feira, 10 de abril de 2017

sábado, 1 de abril de 2017

BATISMO POR ASPERSÃO

POR QUE BATIZAMOS POR ASPERSÃO?
Rev. Arival Dias Casimiro
Jesus Cristo ordenou dois sacramentos para a sua igreja: o batismo e a santa ceia (Mt 28.18-20; 26.26-30). Para nós, herdeiros da fé reformada, os sacramentos são: “santos sinais e selos do pacto da graça, imediatamente instituídos por Deus para representar Cristo e os seus benefícios e confirmar o nosso interesse nele, bem como para fazer uma diferença visível entre os que pertencem à Igreja e o resto do mundo, e solenemente obrigá-los ao serviço de Deus em Cristo, segundo a sua palavra” (XXVII, 1).
O batismo com água é um ato solene de admissão do batizado na igreja. Ele é um sinal e um selo do pacto da graça, de sua salvação em Jesus Cristo. Ele deve ser administrado uma só vez a uma mesma pessoa. Somente os pastores ordenados ao sagrado ministério devem administrá-lo.
A Igreja Presbiteriana do Brasil pratica o batismo por aspersão, mas aceita e considera a imersão como modo válido de ministração. Reconhecemos e acolhemos aqueles irmãos que foram batizados por imersão, em igrejas reconhecidas como verdadeiramente evangélicas, sem a necessidade de rebatizá-los. Com o propósito de esclarecer a nossa posição, apresentaremos abaixo alguns argumentos:
Primeiro, Jesus Cristo ao instituir o sacramento do batismo, não determinou qual a forma ou o modo de se administrá-lo. E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado (Mc 16.15-16). Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (Mt 28.19). Jesus ordena o batismo, mas não impõe a forma de batizar.

Segundo, o batismo com agua não tem nenhum valor espiritual se não vier acompanhado da regeneração do coração efetuada pelo Espírito Santo.
O batismo não é garantia e nem meio de salvação. Ele não tem nenhum poder espiritual em si mesmo para produzir salvação. Há muitas pessoas que foram batizadas, mas nunca foram regeneradas. Elas fazem parte da igreja visível, mas não da invisível. João diz sobre alguns que abandonaram a igreja: Eles saíram de nosso meio; entretanto, não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco; todavia, eles se foram para que ficasse manifesto que nenhum deles é dos nossos (1Jo 2.19). O batismo não salva.

Terceiro, no Antigo Testamento toda forma de “purificação” era realizada por aspersão. O verbo hebraico “espargir” (zaraq) significa “espalhar” ou “aspergir” E, sobre aquele que há de purificar-se da lepra, aspergirá sete vezes; então, o declarará limpo e soltará a ave viva para o campo aberto (Lv 14.7). Assim lhes farás, para os purificar: asperge sobre eles a água da expiação; e sobre todo o seu corpo farão passar a navalha, lavarão as suas vestes e se purificarão (Nm 8.7). (Leia: Nm 19.13, 19).

Quarto, todas essas purificações por aspersão são chamadas de “batismos” no Novo Testamento.
A palavra “batismo” (baptizo) foi usada nos clássicos gregos com o significado de “mergulhar”, “afundar” e “imergir”. Mas, no grego bíblico (coinê) é usado também como “lavar”, “banhar”, “limpar mediante lavagem” e “aspergir”. Quando voltam da praça, não comem sem se aspergirem (baptizontai); e há muitas outras coisas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros e vasos de metal [e camas](Mc 7.4). Todas as abluções e aspersões cerimoniais são chamadas de “batismos”: Os quais não passam de ordenanças da carne, baseadas somente em comidas, e bebidas, e diversas abluções (baptismois), impostas até ao tempo oportuno de reforma (Hb 9.10. Hb 6.2). Paulo afirma também que todos os judeus foram batizados pela nuvem e pelo mar, sem que houvesse imersão (1Co 10.1-2).

Quinto, o batismo cristão foi instituído seguindo o modo do batismo dos judeus, ou seja, por aspersão.
Jesus ao instituir o sacramento do batismo cristão não altera o significado ou o uso da palavra (Mc 16.15-16; Mt 28.19). O batismo de João Batista não era o batismo cristão, mesmo assim não há provas bíblicas que ele batizava por imersão. Se na lei todas as cerimonias de purificação eram feitas por aspersão, por que João mudaria a sua forma de batizar? João Batista estava batizando e os sacerdotes e levitas vieram a ele e lhes perguntou: “Quem és tu?” e ele disse: “Eu não sou o Messias. “Eles disseram então: Se você não é o Messias, por que você batiza”? (Jo 1:25). Os sacerdotes e levitas sabiam que os ritos de purificação eram feitos por aspersão e seria um ato distinto do Messias: Então, aspergirei água pura sobre vós, e ficareis purificados; de todas as vossas imundícias e de todos os vossos ídolos vos purificarei (Ez 36.25). O Messias batizaria por “aspersão”.
João Batista disse: “Eu batizo com água” (Jo 1.26). A preposição “com” (en) é usada para designar o instrumento: água. O instrumento se aplica ao sujeito e não o sujeito ao elemento. Logo, João só poderia batizar por aspersão. Em Atos, Lucas registra: Então, me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo (At 11.16). O batismo com o Espirito foi por aspersão.

Sexto, todo cristão morreu e ressuscitou com Cristo, mas não pela imersão na água.
Utilizando-se da analogia de Paulo, em Romanos 6, os favoráveis ao batismo por imersão confundem “sepultar na água” com o “sepultar com Cristo”. Ou, porventura, ignorais que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte? Fomos, pois, sepultados com ele na morte pelo batismo; para que, como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, assim também andemos nós em novidade de vida (Rm 6.3-4). O que Paulo está dizendo não é que somos sepultados com Cristo pelo batismo por imersão (sepultados na água). Todo cristão morreu e ressuscitou com Cristo na sua obra de redenção. Morremos e ressuscitamos com Cristo para vivermos em novidade de vida. O batismo de adultos é um sinal desta identificação.

Sétimo, os exemplos bíblicos de batismo no Novo Testamento reforçam a tese da aspersão.
No contexto da igreja primitiva, a pessoa era batizada no lugar onde se convertia. Vejamos alguns exemplos: (1) O batismo de quase 3.000 em Jerusalém, após o sermão de Pedro (Atos 2.41). Não havia rio, tanque ou piscina para batizar tanta gente por imersão. (2) O batismo do etíope eunuco, por Felipe, no deserto (At 8.36-38). “Ambos desceram à água”, mas isso não significa imersão. Essa expressão só aparece mais uma vez na Bíblia, em Juízes 7.5 (Tradução da Septuaginta). E a ideia não é de imersão (3) O batismo de Paulo: “a seguir, levantou-se e foi batizado” (At 9.18). Ele foi batizado em pé, numa casa, em Damasco. Nas casas da época não existiam tanques, mas talhas para guardar água. (4) O batismo de Cornélio e toda a sua casa, em Cesaréia (At 10.48). (5) O batismo de Lídia e toda a sua casa, em Filipos (At 16.14-15). (6) O batismo do carcereiro e toda a sua família (At 16.33). Todos esses batismos só podem ter acontecido por aspersão. A partir do texto, a imersão é improvável em todos os casos.
Na Igreja Presbiteriana do Brasil recebemos a todos que vem de várias denominações evangélicas. Respeitamos àqueles que foram batizados por imersão, mas reafirmamos que o batismo por aspersão não é uma heresia. O batismo por aspersão fundamenta-se na Bíblia.
Argumentos: 
Por Rev. Nadiel de Marins- Além das fundamentações bíblicas acima propostas pelo Rev. Arival, temos ainda outros argumentos: Cristo instituiu dois sacramentos: O Batismo e Santa Ceia.
 A Ceia deve conter pão e vinho, mas Cristo não especificou a quantidade de pão e vinho; nas celebrações da Igreja Primitiva, a Ceia acontecia no momento da refeição. Hoje, cada igreja tem uma forma de administrar a ceia: algumas compartilham apenas um cálice com todos os membros; outras ministram a Ceia quebrando um grande pão e os fiéis vão retirando um pedaço desse pão; da mesma forma o batismo deve ser feito em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e deve conter água. 
Cristo não pediria para sua igreja, algo que não pudesse ser realizado em qualquer circunstancia; por exemplo, como batizar por imersão (Mergulhar) no deserto? Ou no Polo Norte? Ou alguém acamado prestes a morrer? Não são as águas do batismo que lavam os nossos pecados, mas sim a fé no sangue de Cristo derramado na cruz em nosso favor! 
Em Tito 3.4-6 lemos sobre quem de fato nos lava. Confira: "Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos,  não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo, que ele derramou sobre nós ricamente, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador,"
Que Deus continue nos dando discernimento para entendermos a Sua Palavra!